Niara Rocha nasceu e cresceu em São Francisco do Sul-SC. Aos 27 anos, ela divide seus dias entre os afazeres de mãe de dois filhos, o trabalho com banho e tosa de animais domésticos e a corrida. Niara confessa que não é fácil, mas não abre mão de sonhar em virar ultramaratonista, algo que está perto de virar de realidade. Confira!

“Conheci o esporte em 2015 através da minha comadre, que já era apaixonada pela corrida de rua. Tudo começou como uma brincadeira, um bem-estar, uma fuga do mundo real. E que na verdade é mesmo!

Na época meu filho tinha apenas um ano e naquela rotina do dia-a-dia a corrida me proporcionou aquela sensação de liberdade. Por alguns minutos era apenas eu.

Comecei com distâncias curtas, de 3 ou 4Km. O meu desafio era não parar para caminhar e quando corri 10km pela primeira vez entrei em êxtase total. Me lembro que estava em um amanhecer lindíssimo na beira da praia! Foi fantástico.

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Com o Sr. Belém

A partir daí comecei a participar de algumas provas em minha cidade e conheci algumas pessoas que levo comigo no coração para sempre.

Em 2016 conheci o Sr. Belém. Um senhor simples, de 67 anos, ultramatonista e ex-alcoólatra. Carinhosamente, digo e repito que ele é meu anjo da guarda nas corridas. Ele me ensinou muito em relação a planilhas e tipos de treino. E me mostrou as distâncias, algo apaixonante.

Naquele ano completei minha primeira meia maratona e 21k se tornou minha distância favorita. Em junho de 2017 fiz minha primeira maratona. O senhor Belém não só pagou minha inscrição, como me fez acreditar que eu era capaz! Na verdade, ela acreditava mais do que eu!

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Em sincronia com a treinadora Aline

Foi um ano apaixonante, em que aprendi muito com o esporte e sobre como é maravilhoso desafiar nossos limites, sair da zona de conforto. De como somos fortes! Sempre digo que a corrida vai além das provas e pódios. Por mais estranho que pareça não sou amante dos pódios. Os troféus enferrujam e desbotam. Mas as lembranças, os momentos e os amigos não.

Eu até acabo ganhando algumas provas, mas sempre há um bem maior por trás.  E o que me apaixona mesmo é poder me desafiar e me apaixonar por cada momento mágico. Acho que é por isso que as distâncias maiores me chamam a atenção.

O apoio do Studio Vida Ativa, através da Aline, apareceu dessa forma na minha vida. Quando ela me convidou para fazer parte do estúdio, eu disse a ela que eu não ganhava provas, que não era conhecida em redes sociais. Que eu só corria e amava fazer isso. Ela me respondeu dizendo que era inspiração para os alunos dela!

Sou voluntária em um projeto na minha cidade, o ‘Pernas Solidárias’, em que corremos com o coração. Eu estava treinando para uma meia maratona com um cadeirante, o Juca, um paratleta do projeto. O desafio foi fantástico, inesquecível! 

Após a prova, que foi em agosto de 2018, entrei para o Studio. Desde então tenho todo o apoio, com planilhas, aulas de pilates e treinamento funcional. Também conheci pessoas incríveis nessa nova fase. Amigas que me apoiam de verdade.

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Pernas Solidárias

Hoje, quatro anos depois de entrar esse mundo, tenho três maratonas na conta e, sem dúvida, só  ainda não fiz provas de 50k por questões financeiras. Gostaria de ter realizado este sonho em 2018. Quem sabe esse ano… Minha ideia é caminhar realmente para as ultras de 50km, 80km, 100km e quem sabe um dia uma BR135+.

Meu sonho mais próximo nesse momento é a maratona do Deserto do Atacama, para a qual estamos em busca de apoiadores. É uma prova de elevado grau de dificuldade, com um o calor massacrante. Mas o desafio é realmente muito tentador.

Quando contei isso para a Aline, ela disse que era louca. Mas de louco todo mundo tem um pouco e se tudo der certo vamos embarcar juntas nessa no próximo ano. Sou muito grata por tudo o que o esporte me proporcionou até hoje. As pessoas que conheci e todas as amizades que fiz.

IMG-20190203-WA0019Correr não é apenas correr. Treinar para um grande desafio te ensina a lidar com situações para a vida. Nada é fácil, mas nada é impossível quando se tem força de vontade e dedicação. Quando estou treinando para as maratonas, minha vida vira de cabeça para baixo. Sou mãe de dois filhos e trabalho muito. Às vezes em dois lugares para completar a renda.

Com a carga dos treinos, a musculação, vêm as dores. Fico noites praticamente sem dormir, a alimentação muda, o estresse bate e a insegurança existe com certeza. Mas quando tudo chega ao fim me dou conta da força que tenho e do que sou capaz!”

 

 

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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