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Sócia e treinadora da MB Personal Trainers, Bruna Guido sempre teve o esporte na veia. E a corrida estava presente em cada um deles como parte da preparação física. Mas como esporte de competição esta relação esquentou em 2010, quando Bruna fez sua primeira prova. Há poucas semanas a relação que já parecia algo para sempre se consolidou de vez, com a primeira maratona da atleta-treinadora-empresária – não necessariamente nesta ordem. E não foi uma maratona qualquer. Para celebrar a ocasião era preciso algo grandioso e especial: a Maratona de Nova York. Aos 28 anos, Bruna precisou de 3h17min36s para sacramentar o feito.

A corrida sempre esteve presente na minha vida, na preparação física dos esportes que fazia, judô, handebol e voleibol. Mas em 2010 participei da minha primeira prova de corrida de rua. Foram 5K no Parque do Carmo. Em 2012 montamos um grupo de corrida e comecei a fazer alguns treinos. Em 2013 fiz uma prova de 5k no Rio de Janeiro e fui a décima quarta a chegar. Depois disso comecei a acreditar que daria para chegar entre as 10, depois entre as cinco e quem sabe ser a primeira. Em 2014 comecei a treinar um pouco mais e chegar entre as primeiras. Desde então, não paro mais!”, conta Bruna, que também é master trainer no Studio Velocity.

Bruna confessa que sempre gostou de provas curtas e rápidas. Para sonhar com a maratona era preciso evoluir. Pode-se dizer que os seus primeiros 42k foram construídos com disciplina.. E isso só foi possível por conta do seu histórico esportivo.

Meus treinos foram por etapas. Dois anos treinando para evoluir nos 5K e superar os 10K. Então planilha para os 10K e para os 21K. Somente depois que me sentisse confortável na meia, começaria uma planilha para a maratona. Foi tudo muito rápido. Em um ano eu me preparei para a minha primeira meia e para a maratona. Foram seis meses em cada planilha. Muito esforço durante os treinos, mas a evolução era visível, principalmente nas provas de 21K”, revela Bruna.

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Casada com o treinador Marcelo Baltazar, de quem é sócia na MB Personal Trainers, Bruna Guido confessa que chegou a sentir um pouco de medo de estrear na distância exatamente na Maratona de Nova York. Mas no fim tudo foi recompensador.

Foi incrivelmente mágico estrear em uma cidade com tantas histórias, filmes e tanta energia. Muitas pessoas dizem que Nova York é a melhor maratona, mas eu não fazia ideia de como era a melhor. Agora eu sei! É mágico! Fiquei com muito medo no começo, primeira maratona, outro país, outro idioma.. Estava aterrorizada e o coração pulsava com vontade de ir logo viver essa experiência”.

A rotina de treinos de Bruna serviu um pouco para acabar com aquela ideia de que treinar corrida é mais fácil para quem é profissional de Educação Física e sócio de uma assessoria esportiva. Para se ter uma ideia da rotina em que Bruna se envolveu, os treinos longos eram feitos às quartas-feiras.

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Foi muito difícil a jornada de treinos. Principalmente os longos, que eu fazia na quarta feira por conta do trabalho. Eu tinha que treinar bem cedo para descansar a tempo de dar aula de bike à noite. Se eu fosse apenas sócia da MB seria muito mais fácil conciliar os treinos. Mas além da assessoria eu tenho os meus alunos de personal trainer e tenho um papel importante no Studio Velocity. Mas consegui conciliar tudo!! Foi tenso. Meu corpo vivia cansado. Mas fui acostumando e ‘morrendo’ menos nos treinos”, confessa a atleta.

Chegou o grande dia

Meu coração já batia forte a cada email que recebia sobre a prova. Estava muito ansiosa, com medo de não conseguir completar. Eu não havia passado dos 34K em um treino. E foi muito difícil completar essa distância, mesmo parando várias vezes durante o treino.

Fiquei mais calma no dia da viagem. Quando encontrei com a galera da New Balance no aeroporto. Fiquei tranquila. Vi que se eu precisasse de algo eles estariam alí.

Foi tudo mágico e parecia que eu estava vivendo um sonho. Acordar, se arrumar para correr, tomar o café da manhã no quarto, se encontrar com vários corredores no meio da madrugada para irmos juntos em um ônibus da própria organização. Uma hora de viagem do hotel ate a concentração. Carros do exército, soldados, helicópteros sobrevoando a região da largada. Um nível de segurança de outro mundo.

Chegamos juntos com milhares de outros corredores de todo o mundo! O coração batia forte.

Então começou. Foram várias largadas para dividir os mais de 50 mil inscritos. Eu fui na terceira onda. Fiz de tudo para largar na frente. Eu sabia que meu ritmo não seria dos mais rápidos mas eu não queria ser atrapalhada logo no início.

Era o início da melhor experiência da minha vida. Começou após o hino americano e um tiro de canhão. A largada na Verrazano Narrows Bridges com neblina é algo que não sai da minha memória. Imagem linda e aquela subida de uma milha até o topo da ponte só para deixar essa prova com mais brilho.

O percurso é coisa de cinema. Passamos por cinco bairros de Nova York e fomos recebidos pelos seus moradores com aplausos, cartazes e muita torcida. Eles realmente torcem pelos corredores. Uma energia que não dá para explicar. Em nenhum momento da prova existe um silêncio. Nunca corremos sozinhos.

A maior dificuldade que senti foi ter que ultrapassar milhares de pessoas que largaram nas primeiras ondas antes da minha. Antes do km 10 chegamos na onda 2 e a partir daí o trânsito foi ficando intenso. Às vezes eu ultrapassava ‘de lado’. Às vezes brecava e dava vários passinhos até achar um espaço para prosseguir.

Além disso, teve a chuva, que deixou meu tênis mais pesado e o chão mais escorregadio. Uma bela subida no km 38/39 que deu uma ‘pegada’ na posterior da coxa.

Mas nada que me tirasse desse sonho. Realmente foram os melhores 42K da minha vida”.

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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