Fabíola Copello: ´A vida, assim como a corrida, nunca será uma competição com os outros, apenas uma guerra interna comigo mesma.´

  • Paulo Prudente
  • 20/01/2026
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A gaúcha Fabíola Copello, 30 anos, mora em Roma, Itália. Foi levada até lá pelo esporte. Pela corrida? Não, pelo basquete! Mas… Confira!

´´Comecei a correr com 11 anos na cidade de Uruguaiana-RS. Vi um anúncio na rua, me inscrevi sozinha e quando cheguei em casa falei para o meu pai: ´´amanhã tu precisa ir lá assinar uma autorização para eu correr uma rústica“, ele me olhou sério e disse: ´´como assim? Tu nunca correu uma corrida na vida e nem treinou…“

Mesmo espantado ele me apoiou e no outro dia eu fui correr. Deram a largada e eu não sabia o que fazer. Sabia apenas que tinha que correr como uma louca até a chegada (risos). Fiz todo o percurso acompanhando a líder da prova, uma argentina (depois descobri que ela era campeã nacional na Argentina e que vencia as provas de rua de que participava). Mesmo sem saber o peso de acompanhar aquela atleta, eu corri lado a lado até os 100 metros finais, quando me assustei com a força da prova e me joguei no chão. Levantei e corri até a chegada, ficando em 3o lugar.

Todo mundo ficou impressionado com o que fiz! Depois veio o convite para uma corrida que teria na semana seguinte. E lá fui eu, sem saber nada de corrida… mas nessa, fui até o final e venci. Depois desse portal aberto no mundo das corridas, foi um caminho sem volta no mundo do esporte e para a minha cabeça de atleta que estava se formando ali.

Meu pai começou a se informar sobre como me treinar para as corridas, e eu, ainda criança, entendi que a partir daquele momento eu era uma atleta. Tudo mudou! Comecei a ganhar seguidamente todas as corridas da cidade, das cidades próximas e até na Argentina.

No mesmo ano recebi um convite para estudar em uma escola pública onde seria treinada pelo melhor professor de atletismo da época, o professor Nasser. Nessa escola também entrei para o time de basquete. E em 2008 comecei a participar de campeonatos estaduais e nacionais, representando minha nova escola e minha amada Uruguaiana.

Com 16 anos fui embora da cidade, recebendo uma bolsa de estudos em Lajeado para jogar basquete. Em 2013 fui convocada para a seleção gaúcha e participei de campeonatos nacionais representando o Rio Grande do Sul.

Por um tempo me afastei das corridas, pois a vida adulta de quem trabalha e estuda o dia todo não é fácil. Atualmente vivo em Roma, na Itália, e tive minha primeira decepção com o basquete: para continuar jogando a série C (com o time em que jogava aqui) eu teria que pagar uma taxa de 300 euros para me federar. Um valor alto por eu ser estrangeira. Decidi sair do time e deixar o basquete um pouco de lado. Me senti meio perdida, por que desde os 11 anos treino e participo de competições. Então pensei: ´´e se eu voltar a correr?´

Comecei a treinar algumas vezes e a vontade de competir e superar meus próprio limites voltou com tudo. Hoje, aos 30 anos, meu treinador Ricardo Freitas me dá todo o suporte necessário para voltar a correr bem. Ele conhece toda a minha trajetória, todos os meu feitos no passado e ficou muito feliz pela notícia de que eu estaria voltando para as coridas e por tê-lo escolhido.

Posso dizer hoje, depois de 20 anos dos meus primeiros passos nas corridas, que correr sempre fez parte da minha vida, não só pelos troféus e medalhas ganhos, mas por terem forjado minha cabeça e meu modo de viver. Muito mais disciplinado, sem me abater com qualquer dificuldade, resiliente no cansaço, quando sei que ainda consigo dar um pouco mais.. A vida, assim como a corrida, nunca será uma competição com os outros, apenas uma guerra interna comigo mesma.´´

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