A advogada Laura Veiga São Leandro Bragagnolo, 24 anos, mora em Sorocaba e treina com a Move Better. Integrante de uma família de corredores, sempre relutou um pouco a aceitar algumas regras que a corrida nos impõe. Mas há dois anos e meio começou a correr e viu sua vida mudar. Neste fim de semana correu sua primeira São Silvestre. Confira!

´´Comecei a correr faz dois anos e meio. Na minha família, minha vó, meu pai e minha mãe já corriam. Sempre achei um absurdo acordar cedo para correr, se inscrever em provas para correr, ir na São Silvestre então… meu Deus! Haha quem vai correr no último dia do ano?? Que absurdo!! (risos)

E olhando hoje… o que eu me tornei?! Quase “pior” do que eles no quesito vício e loucura por corrida 🤪

A princípio, treinava sozinha e achava muito difícil correr. Não entendia nada de corrida, nada de “pace”, de relógio com gps, tênis… achava que era “só sair e correr”. Que golpe!! (risos)

Depois de um tempo treinando sozinha, entrei na assessoria com meu marido e posso afirmar que foi a partir desse momento que tudo mudou. O hobby foi ficando mais sério a ponto da corrida se tornar uma paixão.

Seguindo a planilha de treinos e fazendo o básico bem feito, comecei a perceber que o que eu considerava impossível ou o que eu nunca nem pensei que poderia fazer, seria totalmente possível. As distâncias foram aumentando e o “pace” diminuindo.

Pensando agora, sempre fui uma pessoa um pouco insegura quando o assunto era esporte. Fazia musculação por “obrigação” pela saúde, mas depois que comecei a correr, o sentimento mudou. Eu realmente gosto disso, me sinto viva, forte, com energia! Aprendi com a corrida que treinando com dedicação, disciplina e persistência, sou capaz!

O papel da assessoria aqui também foi primordial porque sempre me deram todo o suporte de treinamento físico e também emocional para atingir os objetivos e afastar a insegurança. O meu professor, Lucas, sempre me ajudou muito. Ele é fera demais! É quase um psicólogo também, porque muitas barreiras da corrida estão nas limitações que colocamos para nós mesmos, mentalmente. Então, superar o medo também faz parte do ciclo de treinamento!

Antes, não me imaginava correndo nem 5k e quando percebi, já estava treinando para fazer uma meia maratona, que é a minha maior distância até hoje.

Já fiz três meias e em todas achei que tinha dado o meu máximo, mas treinava mais e na seguinte, o tempo diminuía! É emocionante pensar nisso!

Na última meia, terminei chorando de emoção porque nem eu acreditava que tinha conseguido fazer naquele tempo, com pace médio abaixo de 5’!! E o melhor, terminei tão bem e feliz! Eu me diverti de verdade nessa prova!

E foi indo.. comecei a me inscrever em provas e desde o começo sempre peguei uma boa classificação na minha faixa etária. E, como mais uma prova da falta de confiança que eu tinha, achava que só conseguia isso porque não tinha muita concorrência. Até que percebi que estava melhorando na classificação do geral também: em janeiro de 2022 fiquei em 8º lugar nos 5k na corrida do Santander; em abril peguei o quarto lugar  geral numa corrida de 10k, ganhei meu primeiro troféu e chorei um monte nesse dia; depois, em agosto, ganhei uma corrida nos 10k 🏆!! Foi inexplicável a sensação de chegar em primeiro lugar, com aquelas motos e a música do Ayrton Senna tocando! Acho que mais do que vencer “a prova”, eu “me venci”! Subir no pódio, naquele dia, com meus pais, meu marido e os amigos na torcida, foi muito emocionante. Chorei mesmo!

E nesse contexto, tinha um agravante. Um pouco antes da última meia maratona, eu descobri que havia fraturado por estresse as duas canelas. Eu não me conformava de que estava numa fase tão boa e tinha acontecido isso comigo. Logo eu, que sempre fiz musculação, que treinava certo. Foi muito difícil aceitar que tinha que diminuir o ritmo. Pensar em parar então… era um pesadelo!

Com o acompanhamento de um ortopedista, fisioterapia e da assessoria, tentei tratar sem parar e ainda assim, fiz a meia maratona em julho, ganhei a prova em agosto, mas depois disso, as dores não sumiam e eu só tinha uma alternativa: parar 😭! Foi uma fase difícil porque correr me faz tão bem, me dá disposição, confiança em mim mesma… descobri que influencia até no meu sono! Acho que não gastava a energia que estava acostumada e tinha dificuldade para dormir.

Foram momentos difíceis, por que eu mesma me sabotava com pensamento de que não iria mais conseguir correr. Estava inconsolável por que não tinha uma “previsão” de quando terminaria aquele pesadelo. E mais uma vez o “modo” psicólogo do treinador foi essencial.

Fiz certinho a fisioterapia, exercícios específicos de fortalecimento e comecei a pedalar com meu marido. Compramos duas bicicletas e nos arriscamos em alguns “pedais”. Foi gostoso reaprender andar de bike. Mas meu negócio é correr mesmo! (risos)

Depois de um mês e meio sem nada de corrida, o exame apontou que a fratura havia se consolidado e reiniciei. Entrei no carro e chorei sozinha de alívio! Claro que eu já queria voltar como se nada tivesse acontecido, mas graças a Deus, o meu treinador tem mais sanidade mental do que eu e foi como se eu estivesse começando mesmo, pouco volume, pace bem confortável, reacostumando com a resistência para correr… e a nossa máquina, nosso corpo, é perfeita! Voltei a treinar e tudo foi se encaixando de novo, nossa memória muscular existe mesmo! Ufa! (risos)

Depois de quase dois meses do retorno, fiz uma prova de 5k. E mesmo tudo dando errado, deu tudo certo! Foi uma prova no fim do dia, estava muito calor (32 graus), tinha comido algo que não me caiu bem. Eu estava em segundo lugar, mas faltando 800 metros para acabar a prova comecei a passar mal. Parei e vomitei duas vezes. Mentalmente, tinha acabado ali para mim, mas me veio uma força, levantei e voltei a correr. Cheguei em 4º lugar, com uma diferença de três segundos da 3º colocada. Foi uma loucura!  Não recomendo, mas foi muito importante para mim. Esse troféu tem um significado especial.

E logo em seguida, chegou a vez de fazer a minha primeira São Silvestre! Era uma prova que eu sempre via na televisão e tinha vontade de fazer, mas parecia muito distante, coisa de tv mesmo. Meu pai fez 8 vezes já e sempre falou que igual a São Silvestre não existe. Teve uma vez que ele fez a São Silvestre em Lisboa. Eu estava junto, mas ainda não corria e estava naquela fase que achava um absurdo a pessoa querer correr numa viagem. Hoje, me arrependo de não ter corrido também.

Lá é uma prova grande também, mas igual a do Brasil, não tem mesmo!!!!! Eu acho que nunca vi tanta gente na minha vida como nessa corrida. Gente correndo, gente torcendo, gente feliz!

Com o marido e os pais na última São Silvestre

Sempre vi na tv, sempre ouvi falar, mas estar lá é único. Acho que é daquelas coisas que todo mundo deveria fazer uma vez na vida! Não tem igual no mundo da corrida, São Silvestre é realmente São Silvestre! Me diverti o caminho todo, sem exceção de nenhum metro sequer! É animado o percurso INTEIRO!

Estávamos na praia, e fizemos bate e volta só para correr! Eu, meu marido, meu pai e minha mãe. Quatro loucos!! Estávamos morrendo de medo de pegar um super trânsito na volta, mas deu tudo certo!

Logo na largada, quando passamos pelo primeiro túnel, todo mundo cantava, gritava, levantava os braços e aquele barulho ecoava, com aquela energia…de arrepiar!! E quando saímos do túnel, um mar de gente esperando, vibrando do lado de fora… muito legal!!!!

Corri junto ao meu marido, em um ritmo confortável e foi bom demais! Fiquei feliz de termos finalizado a última corrida do ano juntos, assim como começamos há dois anos. E mais uma vez a corrida me mostrou que, como na vida, mesmo eu tendo o meu ritmo, ele o dele, nós encontramos um ritmo em comum para que pudéssemos estar juntos.

É isso! Sou muito grata a esse esporte, por todos os momentos que já me proporcionou, por tudo o que aprendi. Fiz amigos excepcionais na corrida, que quero levar para o resto da vida!

A corrida foi um divisor na minha história, com certeza. O que começou despretensiosamente, hoje, se tornou uma parte de mim. Sou feliz por isso!“

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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