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O administrador de empresas Eliakim (Kim) Costa Neto, de 35 anos mora em Vilha Velha-ES. Está se preparando para fazer em 21/04 os 70K solo no Desafio Vitória-Anchieta.  A prova é organizada pelo treinador Alen Brandizzi da Treine Certo Assessoria Esportiva.

O desafio promete ser mais um capítulo da ainda curta vida de ultramaratonista de Kim. Essa história começou em novembro de 2016, quando Kim fez sua primeira maratona. Mas foi uma prova ou um treino? O fato é a relação de Kim com as longas distâncias começou de forma inusitada. E o dia 16 de novembro de 2016 era apenas o cartão de visitas do que estaria por vir.

“Fiz minha primeira maratona em novembro de 2016. Era a segunda maratona do Espírito Santo. Semanas antes da prova a empresa cancelou o evento. Seria a minha primeira maratona e eu já furado a Maratona do Rio para ser padrinho de casamento. Não podia terminar o ano sem fazer uma maratona. Então, no dia marcado para a prova, mesmo com ela cancelada, peguei um ônibus e fui até o local da largada, em Setiba. E corri minha primeira maratona, no percurso da prova. Sozinho, com minha mochila de hidratação, corri os 42,195km. Só parei de correr quando completei a distância”, conta o corredor.

Tamanha superação mereceu um registro para sempre e Kim tatuou na perna a distância percorrida.  Confira o depoimento do ultramaratonista!

“Comecei a correr ocasionalmente em 2015. Sempre tendo em vista e como alvo as 10 Milhas da Garoto. Eu via as pessoas correndo e nunca estava apto por algum motivo. Tenho um irmão gêmeo que é personal e educador físico. Uns dois anos antes ela corria e sempre me convidava.

kimEm 2014 ele fez sua primeira maratona, no Rio, e me dizia que era uma experiência única. Que eu precisava passar por aquilo. Em 2015, depois de fazer as 10 Milhas da Garoto, resolvi que em 2016 faria a Maratona do Rio. Comecei a treinar cinco dias por semana. Quando se trata de uma maratona, não tem como ir mais ou menos preparado. Tem que se preparar bastante. Eu era ‘gordinho’ e sempre fui de comer mal. Beber muito refrigerante. Cheguei a pesar 92 quilos e precisava baixar para 85 para correr a maratona com dignidade.

Alternava treinos rápidos e lentos. Treino com ladeiras, subidas. Aos domingos fazia os longos. Me preparei como nunca para que em maio eu pudesse sentir aquela sensação única descrita por meu irmão. Com o passar dos treinos percebia que a melhora na alimentação e na qualidade de vida melhoraria a minha performance. Eu sofreria menos.

Assim, em 2016 cheguei a 79 quilos. Sem nutricionista, sem acompanhamento. Só seguindo a planilha do meu irmão e buscando um equilíbrio entre alimentação e a corrida.

kim2Aí surgiu o casamento da minha cunhada no interior de Minas. Eu seria padrinho. Casamento no sábado e maratona no domingo. Impossível de estar presente. O sonho de me tornar maratonista ia por água baixo.

Em novembro haveria a Maratona do Espírito Santo. Era a chance de fechar o ano como maratonista. Mas, semanas antes, a prova foi cancelada. Adiaria mais uma vez a chance de sentir a sensação de completar os 42,195km. Então, decidi correr a distância sozinho. Meu irmão estaria viajando e nem poderia me apoiar no dia. Mas eu estava bem treinado e ele deu carta branca.

No dia, chovia muito, mas não era um problema para quem tinha uma missão a cumprir. Estava com a mochila de hidratação e sabia quando fazer as reposições. Parti sozinho. Só pensava no percurso e em completar a sonhada distância. Cruzei toda a rodovia do Sol,  Praia de Itaparica, Praia da Costa e fui em direção à prainha, em Vila Velha. E depois de 4:30:17 eu completava minha primeira maratona. Me enchi de orgulho. Fechar 2016 como maratonista me fez querer cada vez mais.

Em 2017 meu objetivo era correr solo as 12 horas do exército. Mas para virar um ultramaratonista eu precisava que meu corpo ficasse mais forte. Então diminui os treinos de corrida e encaixei musculação cinco dias na semana. Corri a Maratona do Rio em 4:04:00. Em agosto fiz um treino de seis horas dentro do quartel dos bombeiros. Primeira vez que rompia a barreira dos 42,195Km. Fui progredindo, com treinos de 4, 5, 6, 7 horas. Até que em dezembro de 2017 corri 80K nas 12h do Exército.

Eu sou assim, determinado. Faço cada treino com uma determinação incomum. Se é para ser feito eu vou lá e faço, sempre dando o meu melhor. Se está na planilha é por que eu consigo. Correr para mim é mais que um esporte, é um estilo de vida. Eu vivo pelo esporte.

Hoje sou um cara saudável, consigo manter o peso baixo e desafio os limites do meu corpo. Aliás, minha busca hoje é por conhecer o meu limite. Minha prova alvo, o meu sonho é a Extremo Sul Ultramaratona. São 226km na maior praia do mundo.

Por enquanto o foco é na Vitória-Anchieta. É uma prova que corta o litoral e toda controlada por GPS. Fiz duas vezes em grupo e pela primeira vez vou solo. Os planos são de fazer os 70K este ano e os 110K em 2019. Depois acho que estarei pronto para pensar na Extremo Sul. Prova que tentarei fazer daqui a dois ou três anos. Vou me preparar para isso.”

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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