Estamos a pouco menos de três meses da Meia Maratona e da Maratona do Rio. Provas escolhidas por muitos atletas para debutarem nos 21 e nos 42K. A ansiedade toma conta de atletas e por vezes quem tem que ‘segurar a onda’ são os treinadores. A pitada de psicólogo acaba se misturando um pouco com a essência de treinador de corrida. Em Natal-RN, o gaúcho Fabiano Pezzi, da Escola de Corrida Go Runners, está às voltas com a ansiedade de 17 atletas, dos seus 19 inscritos nas duas provas. Veja o que ele diz sobre a reta final de treinamento para as provas.

“A pouco menos de três meses para a prova, de acordo com a periodização, estamos priorizando o volume, a rodagem. Especialmente aqueles atletas que vão estrear nas distâncias.

Na primeira semana de abril, faltando dois meses para a prova, vamos fazer a transição dos treinos de rodagem, com muito volume, para os treinos de intensidade, de tiros. E no mês que antecede a prova vamos entrar nos treinos mais específicos. Aumentar um pouco mais a rodagem, a intensidade e adotar treinos de ritmo. O objetivo é lapidar o gesto motor para que o corpo resista melhor à fadiga durante a prova. Resumindo, começamos com um trabalho metabólico visando a base para depois entrar com velocidade. A base é o treino aeróbio, depois a velocidade que é o anaeróbio. Assim o atleta consegue resistir melhor á distância da prova alvo.

Ao mesmo tempo vamos trabalhando o aspecto psicológico de cada um. É também um trabalho individual. A ansiedade, principalmente nos estreantes, é cada vez maior. Os que vão fazer uma meia pela primeira vez começam a se perguntar se vão conseguir. Cabe ao treinador tranquilizá-los e mostrar que o que eles já fizeram, estão fazendo e ainda vão fazer, desde que mantenham o planejamento, vai levá-los ao objetivo final. Não há nada que possa comprometer o resultado. O treinador deve mostrar isso com clareza e transmitir confiança.

É interessante perceber que os alunos agora começam a explicar para parentes e amigos as suas ausências. Principalmente numa sexta à noite, às vésperas de um treino. Por que eles se conscientizam de que o desafio é realmente grandioso e que precisam abdicar de muita coisa para conseguir se comprometer com a planilha. É hora de dizer muitos ‘não’.

E quando conseguimos levar o atleta até o grande dia e no grande dia até a linha de chegada é a realização de dois sonhos. O do atleta e o meu. Por que o meu sonho é realizar o sonho de cada um deles. Eu lembro das chegadas até hoje e me emociono. Por que é algo que vai muito além da corrida. Quando ‘tu vê’ a pessoa cruzar a linha de chegada de braços abertos para te saudar…. Naquele momento eu represento todos os professores. É enlouquecedor, por que naquele momento ele está concretizando tudo o que treinou com agente. É a verdadeira sensação de dever cumprido.

Cada aluno que cruza pela primeira vez aquela linha de chegada é a realização de um sonho.  Agora ‘tu imagina’ 17 atletas cruzando aquela linha pela primeira vez. Imagina ‘tu viver’ um sonho 17 vezes numa única manhã! É fantástico, não tem preço! Que venha a tão sonhada manhã de 23 de junho de 2019!”

Na foto: Rodrigo, Fabiano, Bia, Mari, Will, Léo e Aline.

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