Fernando Machado é formado em Turismo e hoje atua na área logística de uma grande empresa aérea. Há Aos 13 anos ele mantém uma relação estreita com a corrida e não é raro vê-lo treinando pelas ruas de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba-PR. Por lá já correu até carregando a tocha olímpica, em 2016. Aos 38 anos, Fernando hoje é atleta da CRRunners Brasil e segue cultivando alguns sonhos, apesar das dificuldades impostas pela pandemia. Confira!

Tudo começou no final de 2006, quando eu e meus amigos chegamos em Guaratuba no litoral paranaense para passar o réveillon. Mesmo chegando com antecedência, já não encontramos vagas de estacionamento próximo à praia. Então deixamos o carro a uns 500 metros de distância do calçadão à beira mar. Optamos por pegar os espumantes somente próximo à virada do ano.
 
Faltando alguns minutos, me prontifiquei a ir correndo até o carro pegá-los, mas durante este percurso me dei conta que estava muito fora de forma. Um pequeno trajeto e eu fiquei muito ofegante. Ali mesmo prometi a mim mesmo que em 2007 ia mudar meus hábitos e dar prioridade à atividade física.
 
Chegando no trabalho no dia 2 de janeiro, um amigo me convidou para começar a fazer atividade física em uma academia. Comecei a treinar musculação e nos aquecimentos na esteira comecei a pegar gosto pela corrida.
 
Durante um desses aquecimentos na esteira, em março de 2007, um promotor de corridas, me vendo correr, perguntou se eu não teria interesse de participar de prova que iria ocorrer em abril. No primeiro momento não me interessei. Mas com o decorrer dos treinos, comecei a intensificar minha corrida na esteira e coloquei na minha cabeça que se eu chegasse a correr 10 km me inscreveria na corrida. Faltando 15 dias para a prova atingi a marca e fiz minha inscrição.
 
Naquela época não existia a distância de 5K nos eventos, então se alguém quisesse estrear oficialmente em uma prova, teria que correr 10K. Assim, em 15 de abril de 2007, concluí minha primeira corrida. Achei tão legal correr ao lado de mais de mil atletas que a partir daquele momento, já apaixonado, resolvi me inscrever em todas as provas do calendário de Curitiba e região, passando a me ligar mais na questão de performance.
 
Depois de fazer 10 provas de 10K, comecei a sentir que poderia ir mais longe e projetei o caminho para a meia maratona. Em junho daquele ano completei meus primeiros 21K. Segui correndo, fazendo amigos na corrida e passei a integrar um grupo de corridas. Naquela época existiam poucas assessorias e com incentivo dos amigos comecei a planejar correr uma maratona. Ainda em 2007, em novembro, corri minha primeira maratona em Curitiba.
 
Segui com minha rotina de corridas até a metade de 2011, quando começaram meus problemas de saúde. Tive problemas no joelho direito e quando parei para tratar, tive problemas com outras patologias. A mais grave foi uma doença na minha visão.  Com tudo isso, me ausentei das corridas por um duro período de três anos e meio. Acabei perdendo minha visão esquerda e hoje sou monocular.
 
Mas tudo na vida passa, menos o meu objetivo de voltar a correr. Sem visar a performance, apenas correr por amar o esporte. E em 2015 retornei ao mundo das corridas e desde então, graças a Deus, não tive mais lesões.
 
Em 2016 fui agraciado pelo Comitê Olímpico Brasileiro, tendo a grande honra de conduzir a tocha olímpica na minha cidade natal, São José dos Pinhais. Foi um momento épico na cidade.
 
Atualmente tenho no currículo 262 corridas oficiais, entre elas seis maratonas, 37 meias, quatro corridas de São Silvestre, seis duathlons, revezamentos como a Volta a Ilha de Florianópolis e Airton Senna Racing Day no autódromo de Interlagos, além de incontáveis corridas de 10 Km. Tenho alguns pódios na categoria. Conquistas que valorizo muito!
 
Meus treinos são prescritos pelo professor Cristiano Ribeiro, que além de instrutor também é um grande atleta de alta performance. Ele passa o treino através de planilhas semanais. Tudo é baseado na metra a ser atingida. Um bom exemplo foi no ano passado, quando fiz um projeto de 300 dias para voltar a correr uma maratona. O professor encaixou todos os treinos conforme minha necessidade.
 
Hoje meu objetivo é correr os 25 km da UPHILL da Serra do Rio do Rastro, em dezembro, e virar um Ninja Runner. A médio e longo prazo, tenho planos para correr as principais corridas do Brasil que ainda não corri, como a Corrida de Reis em Cuiabá, as 10 milhas do Espirito Santo, os 10K Tribuna de Santos, a Corrida Tiradentes Maringá e o Revezamento de São Francisco.
 
Acho que atualmente não consigo viver sem a corrida. Se deixo de correr um dia já fico com um sentimento de frustração. Tento encaixar os treinos conforme minha escala de trabalho e na realidade tenho que ter jogo de cintura, podendo treinar a qualquer horário. Para quem tinha uma rotina diária de treinos, tem sido momentos difíceis, mas tentamos nos adaptar, fazendo mais treinos de fortalecimento, que os corredores não visam muito nos dias normais.

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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