A analista de comércio exterior Alexandra Vaccari de Souza, de 37 anos, foi uma das muitas corredoras que debutaram nos 42K no último domingo de julho na SP City Marathon. Moradora de Marília e atleta da MLF Assessoria Esportiva ela contou como a corrida apareceu em sua vida e como foi a jornada até sua primeira maratona. Confira!

 

Quando a corrida entrou em sua vida?

Comecei a correr com frequência em 2014, após minha filha nascer. Estava há dois anos sem praticar atividade física. Antes da gravidez eu corria poucos quilômetros e sem muita rotina de treino. Um amigo me falou de uma equipe formada por amigos que treinavam juntos (RUN4LIVE) e me chamou para conhecer. Gostei de correr em grupo por causa do incentivo e a partir deste momento comecei a treinar com frequência e participar de provas.

 

Como foi sua evolução nas distâncias até chegar a SP City Marathon?

Comecei com as distâncias curtas. No primeiro ano nem provas de 10k eu fazia. Sempre respeitei meu corpo e sabia que era importante ir aumentando as distâncias aos poucos. No meu segundo ano correndo me preparei para minha primeira meia maratona e quando fiz a prova vi que era uma distância que ia curtir muito correr e que faria outras vezes. A maratona não fazia parte dos meus sonhos. Tanto que sempre falei para os amigos que não pensava em fazer por saber que era algo muito desgastante e que eu preferia fazer provas em que eu teria mais prazer em participar. No último ano, após um período em que me senti desanimada com a corrida, deixei de participar de provas

 

WhatsApp Image 2019-07-30 at 08.56.54Como foi a rotina de treinos especificamente para esta prova?

Meus amigos sempre falaram que a parte mais difícil da maratona são os treinos. Eles estavam certos! Os treinos são pesados e cansativos, mas eu estava tão animada com o objetivo que nos primeiros meses não senti tanto. Quando chegamos nos treinos mais longos, principalmente a partir dos 30km, eu comecei a sentir muito cansaço e o corpo pesado. Para auxiliar, nesta fase comecei a fazer alongamento com um profissional. Isso ajudou muito para que o corpo respondesse melhor aos treinos. Nas duas últimas semanas senti dor no pé e precisei fazer fisioterapia também, mas tudo valeu a pena.

 

Encontra alguma dificuldade para conciliar treinos, família e trabalho? 

Sim, nem sempre todos entendem por que nos dedicamos tanto à corrida. Minha filha é pequena e muitas vezes não quer que eu saia para correr. Um dia falei pra ela que correr é algo que amo muito e que quero deixar como exemplo para que ela sempre busque fazer o que ama. Na preparação para a maratona o difícil eram os treinos longos, que me deixavam muito tempo fora de casa. Meu marido e minha filha precisaram ter mais paciência. Muitas vezes chegava muito cansada em casa e ainda precisava sair para eventos de família ou compromissos. Procurava não deixar de ir mesmo estando esgotada, pois a corrida é apenas uma parte e precisamos equilibrar todos setores de nossa vida.

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Com os amigos da MLF Assessoria Esportiva

 

O que acha ser necessário para manter a motivação lá em cima? 

Com a maratona aprendi que precisamos ter uma meta, um objetivo na corrida…fiquei muito tempo sem objetivos, apenas correndo e fazendo provas sem planejar. Agora entendo que ter uma prova alvo e se dedicar a ela vale muito à pena e é gratificante. A MLF é minha equipe, que me acolheu e onde fiz amigos muito queridos e que se tornaram importantes. Principalmente nesta fase de maratona, ter uma turma para correr e te apoiar foi fundamental. Sem os amigos eu não teria chegado tão longe.

 

Como o esporte interfere na sua vida? Ânimo, força, disposição…

Praticando esporte me sinto viva, cheia de energia e disposição. Mais importante que os resultados estéticos, consegui entender que estou buscando envelhecer com saúde. Sinto também que é uma terapia, meu momento com meus pensamentos, a hora em que consigo deixar o estresse do dia-a-dia de lado.

 

WhatsApp Image 2019-07-30 at 08.54.58 (1)Como foi a prova? Dentro do esperado? De que forma acha que esta conquista pode impactar em sua vida?

A prova foi maravilhosa! Tracei uma estratégia de fazer os primeiros 21km mais fortes, pois pelo treino percebi que depois dos 30km seria difícil forçar. A estratégia deu certo e fechei os 21km para 2:02. Depois dos 32km o corpo pesou e meu ritmo caiu. A partir deste momento o foco era me manter firme para terminar. Em alguns momentos bate o desespero, ansiedade para acabar logo e temos que controlar o emocional e continuar. Decidi não andar por que pensei que seria pior até pelo corpo já estar dolorido. Fechei a prova em 4:13, muito além da minha expectativa. O corpo estava “quebrado”, mas a felicidade que senti é difícil de explicar. Me senti forte, capaz, guerreira! A maratona nos transforma! Nossos limites se expandem!

 

 

 

 

 

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Jornalista, pai e corredor. Vê a corrida como uma ferramente para fazer a vida fazer sentido. Não se preocupa em ser rápido, nem com a chegada. O que importa é o caminho...

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